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MACEIÓ
O alagoano, generoso que é, seria capaz de arrancar um
pedaço da Praia de Pajuçara e entregá-lo a um paulista que,
deslumbrado, ficara encantado com o azul caribenho do mar em suas últimas
férias no Nordeste. Nada consegue se confundir com as praias de Maceió e
as do litoral alagoano, as mais famosas do Nordeste.
Você provavelmente nunca viu no Brasil uma praia como
a do Francês, a 15 quilômetros do centro de Maceió, ou a da Barra de
São Miguel, a 33 quilômetros da cidade. Um espetinho de camarão sai por
uma baba, 1 real, o mesmo preço do caldinho de feijão na orla.
Passeio para turista ver? Vá ao Pontal da Barra, onde
no final da tarde chegam as escunas dos passeios na Lagoa de Mundaú e as
rendeiras ficam sentadas nas calçadas, na lida diária, fazendo a trama.
Da terra, mesmo, só o vendedor - e olhe lá, porque muitas vezes os
rapazes são do interior de Pernambuco.
O melhor em Maceió é que depois de um dia inteiro na
praia ninguém quer ficar largado na cama, abraçado ao ar-condicionado
para ver se passa o calorão, nem esparramado na banheira do hotel
esperando a pele enrugar. Isso explica a agitação na cidade à noite,
uma das mais conhecidas do Nordeste pela oferta de diversões. Os
quiosques da praia ficam cheios de gente, principalmente nos bares onde
há sanfoneiros e bate-pé. Só há uma solução. Faça uma promessa para
o padre Cícero - cuja imagem está fincada na Praia de Ponta Verde - e
beije o pé da estátua brancona. Nos dias de sol, pague 10 reais e
embarque no passeio mais imperdível de Maceió. As jangadas cruzam o mar
2 quilômetros Oceano Atlântico adentro, levando os turistas para várias
piscinas naturais, formadas pelos corais da orla. Alguns dos barqueiros
oferecem frutas da região para adocicar o passeio.
República dos Palmares, dos Marajás (ou dos
Usineiros, é a mesma coisa), do Brasil, república disso e república
daquilo. Quando for a Maceió não precisa se preocupar com tudo o que
acontece nesse mundo paralelo da política e da cana-de-açúcar. Você
pertence à melhor e mais respeitada república existente em Maceió: a
República dos Turistas.
A praia é o limite, portanto, entregue-se aos encantos
de Pajuçara, Ponta Verde ou Jatiúca, as melhores da cidade de Maceió.
Na hora do almoço, aproveite a proximidade de um dos quiosques à
beira-mar para comer. Alguns deles, como o Fellini, em Ponta Verde, têm
ótimos petiscos à base de frutos do mar. E, depois, volte para o sol. No
fim da tarde, após um banho refrescante, dê um passeio na feirinha de
artesanato de Pajuçara. À noite, jante no restaurante do hotel Jatiúca
e depois caminhe pela praia - uma coisa que todos os locais fazem, sem
medo.
Acorde bem cedo e siga para a Praia do Francês - uma
ótima opção para passar o dia fora da parte urbana da cidade. Tome uma
deliciosa batida de abacaxi na própria fruta (4 reais). Na hora do
almoço, experimente o restaurante Chez Patrick, muito bem localizado. Um
prato farto de salada custa 5 reais e, para acompanhá-lo, peça um peixe
no palito (6,50 reais). Para variar tome o seu café da manhã no hotel
Ponta Verde. No caminho da praia, dê uma caminhada de Pajuçara a
Jatiúca. Em frente ao hotel, há muita agitação. Almoce no restaurante
Canto da Boca. Depois do jantar, passeie pela Praia de Ponta Verde e
aproveite para comer uma tapioca em uma das barraquinhas da orla.
Se preferir que sejam incluídas frutas da região
serão acrescidos 2 reais ao preço. Durante quatro horas, a partir do
horário que você marcar, o barco passa por várias praias e ilhas até
chegar à Ponta do Gunga - conhecida por ter sido freqüentada pelos
marajás "colloridos". Aproveite para almoçar, quando voltar do
passeio de escuna, no restaurante La Tablita, que é muito conhecido na
região pela deliciosa paella que serve.
À noite, de volta à cidade, jante na praça de
alimentação do Shopping Iguatemi. Depois, tente o bufê de sorvetes do
Sorvetton, na orla de Ponta Verde. Afinal, você chegou até aqui para
isso, não é? Na parte da manhã, fique mesmo nas praias da cidade -
Pajuçara pode ser uma boa escolha. Almoce no Gstaad, o restaurante
preferido do falecido PC Farias e da turma collorida. Peça uma Lagosta ao
Termidor, fartamente servida com risoto (26 reais). À noite, depois de
jantar no Divina Gula um tutu de feijão, vá ao bate-coxa do quiosque
Lampião, na Praia de Ponta Verde. Às 9 horas, um dos passeios mais
interessantes da cidade, que pode ser feito em escuna ou mesmo em lanchas
pequenas, deixa o Pontal da Barra. Quatro horas depois, você está de
volta ao Pontal da Barra. Almoce em um restaurante especializado em frutos
do mar, o Bar das Ostras, que fica mais exatamente no bairro do Trapiche.
No final da tarde, passeie pelo comércio de renda e linho, o mais famoso
da região.
No bairro de Pontal da Barra, um vilarejo de pescadores
com ótimos bares à beira da Lagoa de Mundaú, há rendeiras que fazem
maravilhas com as mãos: passadeiras saem por 10 reais; colchas de casal
coloridas, 13 reais; e jogo de cama de casal, em linho, 40 reais.
O tempo em Maceió é capaz de tirar qualquer um do
sério, pois sol e chuva alternam-se a cada cinco minutos. Maceió é uma
cidade fácil. Sombreada por pelo menos 700 000 coqueiros, um para cada
habitante, Maceió ergue-se entre o mar verde-claro das sete praias e o
verde-escuro de duas lagoas, Mundaú e Manguaba. Maceió cresceu em torno
do Porto de Jaraguá, que no início não passava de um entreposto para a
exportação de açúcar. O porto jeitoso foi se desenvolvendo junto com a
cultura do açúcar, com tal vigor que, em meados do século 19, a cidade
em torno dele desbancou a então capital, Alagoas do Sul, uma vila sem
porto algum que hoje se chama Marechal Deodoro.
À esquerda do porto, fica o bem-bom de Maceió - as
praias mais lindas, os bares mais bem freqüentados, as lojas mais
chiques, os prédios mais modernos.
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