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Maceió Alagoas
Os três meses de outono são um preparativo para o
recolhimento do inverno, para aquele friozinho que dá vontade de ficar na
cama. Não se estiver em Maceió: como no restante do Norte e do Nordeste
deste eclético Brasil, na capital "das" Alagoas é verão o ano
inteiro. No máximo, uma chuvinha passageira nos dias mais
"frios", de junho a setembro. Com tantas coisas diferentes para
olhar e fazer, ficar em casa, nem pensar - muito menos na cama.
Inclua na bagagem filtro solar e antiácido, para o
caso de se esquecer da vida embaixo do escaldante astro rei ou comer mais
do que o bom senso recomenda os pratos maravilhosos feitos com frutos do
mar de nomes esquisitos para os visitantes novatos - como o caldinho de
sururu, um marisco minúsculo abundante na região. Para hidratar, abuse
da água-de-coco. Saber que a fruta é quase uma marca digital da região
ganha contornos de deslumbramento quando se avistam os coqueiros
(carregados) por todos os cantos da cidade.
Para as mulheres, uma dica: reserve uma parte do
dinheiro para as compras na feira de Pajuçara, que se destaca entre as
praias de Maceió. Isso vai impedir que retornem com aquela sensação de
vazio que nos invade quando não podemos levar aquela preciosa peça da
vitrine.
Numa vastidão de artesanato - em que os artistas sabem
como poucos usar os recursos disponíveis na natureza local -, impossível
não "babar" pelas toalhas e blusas de renda. E as bolsas
decoradas com pedacinhos de casca de coco e bordadas? Um ditado popular
dá a dimensão desta atração: "Na feira de Pajuçara, as mulheres
saem rendadas e os maridos, rendidos".
Antes das compras, uma boa pedida de lazer é o passeio
de jangada até as piscinas naturais, formadas por arrecifes, cerca de
dois quilômetros mar adentro. O protetor solar é obrigatório. Vão sete
pessoas por jangada, cada uma paga R$ 13,00. O passeio só pode ser feito
entre 9 horas e 10h30, quando a maré está baixa.
A curtição no local dura cerca de duas horas. Um
tempo que passa depressa, entre conversas, brincadeiras e comes-e-bebes,
refrescando-se nas águas claras e mornas. Mas nada de querer levar uma
"lembrancinha" pra casa. Para evitar depredações, um pool de
entidades - entre elas, o Instituto de Meio Ambiente, a Secretaria do
Patrimônio da União, a Capitania dos Portos, a Federação dos
Pescadores e Federação de Vela e Motor - definiu regras como não
retirar qualquer biodiversidade marinha. Contente-se com os registros
fotográficos e a memória.
Há mais piscinas naturais em Pampueiras e Maragogi.
Além delas, praias com mar em tons de azul ou verde, barzinhos espalhados
pela orla, feiras. Não é pouco, mas tem mais. Há oito lagoas em
Maceió, de onde pescadores se abastecem de peixes e crustáceos e
garantem os disputados pratos em restaurantes.
Só não estranhe os nomes, todos de origem indígena.
Pajuçara, por exemplo, significa "caminho dos espinhos".
Oficialmente, Maceió tem cerca de 800 mil habitantes. Esse número está
sempre, no mínimo, duplicado. Entre coqueiros, mangues e praias, com
17.500 leitos em 38 hotéis e pousadas, a cidade vive do turismo.
O clima é um convite para passeios o ano inteiro. No
verão, a temperatura média é de 28 graus; no inverno, de 26. Recebe
turistas da América do Sul, principalmente da Argentina, e da Europa. Do
Brasil, o paulista é o visitante mais assíduo para o turismo de lazer.
Maceió preserva a história em manifestações
culturais. O Museu Théo Brandão, fundado em 1975, mantém acervo
permanente e exposições rotativas. Se o turista quiser saber por que
Maceió é o que é, a visita ao local é obrigatória. Segundo o
historiador Douglas Aprates, o local sintetiza o contexto sociocultural do
povo alagoano.
A coordenadora do circuito museográfico, Helena
Cavalcanti, lembra que as obras expostas são feitas de matérias-primas
fartas na região, como o barro, a palha e a madeira. O museu reserva
espaço para a venda de produtos.
A cidade também gosta de histórias, e suas praias
são repletas delas. Próximo a Pajuçara fica a Guaxuma, onde PC Farias e
a namorada foram assassinados. A praia da Garça Torta era o reduto dos
hippies, nos anos 70. Hoje, os barzinhos na beira-mar são famosos pela
MPB.
A praia de Riacho Doce inspirou o romance de José Lins
do Rego que rendeu a série da Rede Globo, com Vera Fischer e Carlos
Alberto Ricelli nos papéis principais. O local também é lembrado pela
culinária. A união de mandioca, ovos, leite, farinha e açúcar é a
base de bolos famosos. A praia da Sereia tem este nome por conta de uma
estátua de 3,10 metros. O prefeito da época exagerou nas formas da
sereia, com a explicação de que assim a obra seria vista de longe. Não
se reelegeu, mas a fama ficou.
O secretário de Turismo de Maceió, Carlos Gatto, fala
que a intenção é fortalecer a imagem da cidade no Brasil e no mercado
europeu. Fará isso investindo ainda mais no aspecto histórico, citando
Zumbi dos Palmares. "Nunca conseguimos explorar isso, principalmente
nos países de povos negros. Vamos trabalhar em cima da história do
negro, montar o Museu do Negro, voltado para o turismo", anuncia. O
museu já tem endereço: uma casa no bairro antigo de Jaraguá (onde está
o Museu Théo Brandão), que era utilizada para a engorda de negros para a
revenda. O local foi penhorado à União há cerca de 60 anos e será
restaurado com repasse federal.
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