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Maceió Alagoas
Nos 230 quilômetros do litoral alagoano, nenhuma praia
é igual a outra e todas se transformam com o passar do dia. Conforme as
horas passam e a maré segue seu curso, extensas faixas de areia
despontam, recifes tornam-se visíveis, 146 piscinas naturais se formam
entre rochas e canoas de pescadores começam a se movimentar nas 58 lagoas
e manguezais.
Na composição das paisagens, alternam-se coqueiros,
falésias de areias coloridas, blocos de recifes e longos trechos de
mangue, que aparecem entre uma praia e outra. Com pouca ou muita
estrutura, movimentadas ou praticamente desertas, com mar calmo ou para
surfistas, há praias para todas as preferências - um roteiro que pode
ser explorado tendo como ponto de partida Maceió.
É lá que estão os hotéis e pousadas, os carros para
alugar, a saída para os passeios, os restaurantes, os mercados de
artesanato e um pouco da história do Estado, exportador de açúcar e
fumo. Na capital também há três praias bastante visitadas pelos
turistas: Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara, conhecida pelos passeios de
jangada e piscinas naturais.
A noite não é o ponto forte da cidade. Há alguns
bares que ficam abertos até de madrugada nas praias, ao som de forró, e
outros montados em antigos casarões e armazéns no bairro do Jaraguá,
antigo reduto boêmio que foi revitalizado. A maior parte, no entanto,
funciona só às sextas e aos sábados.
Para quem dirige, uma boa opção para sair da cidade
é alugar um carro. Para quem não gosta de dirigir, é possível combinar
um roteiro com taxistas, que estão acostumados a fazer os trajetos,
conhecem as histórias dos vilarejos e acabam servindo como guias. O
preço não varia muito entre eles, mas é bom negociar antes de sair de
Maceió.
Da orla da cidade, seguindo pela avenida, chega-se à
AL-101, uma rodovia estadual razoavelmente bem conservada, com trechos
mais ou menos sinalizados. O caminho, tanto ao Sul quanto ao Norte, é
paralelo ao mar, e as entradas de terra que aparecem a cada trecho
percorrido são um convite para conhecer um trecho diferente do litoral.
Com tudo combinado, resta aproveitar o sol e o calor -
a temperatura média anual no Estado fica em torno de 28°C. Com praias
mutantes, modificadas pelo horário do dia, apenas a cor do mar permanece
constante. Calmo, agressivo, com a maré baixa ou alta, a tonalidade da
água, reflexo da presença de microalgas, é sempre verde ao Norte e Azul
ao Sul.
Além da maré baixa e da maré alta, que ditam os
horários dos passeios, o roteiro do turista e o visual das praias, uma
outra expressão acaba sendo incorporada ao cotidiano do litoral de
Alagoas: a maré morta e a maré viva.
A primeira é o nome dado ao período que engloba até
três dias antes e três dias depois das luas minguante e crescente.
Nessas ocasiões, a maré não apresenta uma grande variação durante o
dia. É possível visitar as piscinas naturais, mas a água que bateria no
joelho da pessoa, fica constantemente na altura do peito.
Já a maré viva é o nome dado aos três dias antes e
até três dias depois das luas cheia e nova, épocas nas quais a maré
fica muito alta e muito baixa no mesmo dia. Segundo os organizadores dos
passeios, é o melhor período para estar no litoral. Aí é só conferir
no dia escolhido em qual horário a maré estará mais baixa para fazer o
passeio.
Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara: Para conhecer o mar
de Maceió, o melhor é acompanhar a orla formada pelas praias de
Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara - um recorte que mistura guarda-sóis e
turistas espalhados pela areia fofa, fileiras de barraquinhas que vendem
tapioca de todos os sabores, restaurantes especializados em frutos do mar
e turistas e moradores fazendo caminhadas e passeando de bicicleta no fim
do dia.
A agitação toma conta da calçada e contrasta com a
calma das águas verdes, que formam poucas ondas e muitas piscinas
naturais. Jatiúca é praia de tombo, irregular, que pede calma na hora de
entrar na água. Está cercada de palmeiras, que formam sombras por toda a
extensão da praia. Abriga hotéis e lojas para turistas, com galerias
diversificadas que vendem peças de artesanato. É a primeira das praias
com bastante infra-estrutura.
A partir dela se desenvolve uma Maceió diferente,
variada, atraente e com cheiro de tapioca doce. Se o calor não for
incômodo, é possível caminhar meia hora e chegar a Ponta Verde, praia
freqüentada pelos moradores da cidade, com seus bares e restaurantes mais
sofisticados do que no restante da cidade. Lá, de um lado da areia, fica
tudo mais caro e luxuoso. Na outra faixa, sem fazer oposição, o mar
continua verde e sereno. É a praia para almoçar bem, para fazer compras
e para conhecer gente.
Pajuçara, a última na seqüência, é a praia das
piscinas naturais, que exibe de longe as velas de 180 jangadas,
estacionadas uma ao lado da outra, enquanto esperam os grupos de turistas
se formarem. Cada uma leva até seis pessoas.
Acomodados em seus lugares, os visitantes navegam dois
quilômetros até chegarem às piscinas. No caminho, se derem brecha,
ouvirão dos jangadeiros tantas histórias quantas forem possíveis de
serem contadas em 15 minutos. Eles gostam de conversar e se empolgam ainda
mais quando percebem a admiração dos turistas pela beleza da praia.
Estacionam a jangada e deixam os grupos livres para aproveitar a piscina,
que bate mais ou menos na cintura.
Uma "jangada-bar" vende bebidas, aperitivos e
lanches. Costuma-se permanecer de uma hora e meia a duas no local, tempo
suficiente para ver corais, ouriços, polvos e estrelas-do-mar.
Bairro das Rendeiras: Filé, labirinto, rendendê,
ponto de cruz, renascença e muitas mulheres na calçada, em frente a
pequenas portas de madeira, da qual saem peças coloridas e bordadas a
mão. Os nomes dos pontos, pronunciados devagar e com orgulho pelas
rendeiras do Pontal da Barra, fazem parte da tradição do bairro, reduto
em Maceió do artesanato regional.
Costa dos Corais é a atração do Norte: Para as
praias ao Norte de Maceió é difícil encontrar uma única definição.
Seguindo pela AL-101, as entradinhas e quebradas levam a balneários que
surpreendem, cada um com uma formação bastante particular. O traço que
os une é o fato de fazerem parte de uma área de proteção ambiental
(APA), chamada de Costa dos Corais, uma extensão que vai do Sul de
Pernambuco até Maceió. Ao Norte, as formações de corais são mais
ricas e diversificadas.
Todas as praias têm seus paredões, que aparecem
quando a maré está baixa. Em várias delas é possível fazer mergulhos
e passeios de barco ou jangada até as piscinas naturais. Por serem menos
visitadas, e terem menos infra-estrutura, a estrada também tem uma
sinalização precária. Mesmo assim, basta seguir em linha reta na
rodovia e, em caso de dúvida, parar em alguns dos vilarejos de pescadores
do caminho para perguntar por alguma praia.
As entradas vão logo aparecendo. Ao sair da cidade, em
15 minutos surge Jacarecica, praia pequena, muito parecida com as de
Maceió. Em seguida, Guaxuma, transformada em ponto turístico da região
por abrigar a casa onde PC Farias foi assassinado. Mais 20 quilômetros,
aparece o vilarejo de Riacho Doce, onde fica a praia da Sereia, nome dado
por causa da estátua de uma sereia no meio do mar. Não vale perder tempo
na praia, muito freqüentada por excursões. Melhor seguir mais cinco
quilômetros para Ipioca, trecho a partir do qual o litoral norte começa
a ficar mais interessante e as praias mais bonitas.
Seguindo na rodovia, aparece a cidadezinha de Floriano
Peixoto e a praia de Paripueira, que tem piscinas naturais a 800 metros da
areia. Barcos levam grupos de turistas às piscinas, um passeio que dura
uma hora e meia. A água é quente e fica abaixo da cintura.
A próxima parada é Sonho Verde, praia de coqueiros,
com alguns restaurantes e uma barraquinha de cocadas famosa na região.
Cerca de 15 minutos à frente vem Tabuba, uma praia pequena, menos
movimentada. Se estiver sem tempo, vale passar por ela e chegar até Barra
de Santo Antônio, a 41 quilômetros de Maceió. Do município, pega-se
uma balsa para atravessar o rio Mungi e chegar à península de Carro
Quebrado.
Depois de atravessar o rio, o carro segue por uma
estrada de terra, acompanhada de plantações de caju. O caminho atravessa
um vilarejo, continua em outra estradinha e, depois de meia hora, chega
até a praia. Ao descer do carro, não é preciso mais de um minuto para
perceber que o trajeto valeu a pena. Carro Quebrado é uma praia linda. O
mar é verde e contrasta com falésias de areias colorias, grandes
paredões de rocha contínuos.
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